SOBRE MIM

Thomas HahnThomas Hahn nasceu em Viena, Áustria, em 1936. Cresceu no Rio de Janeiro, mudando para São Paulo em 1964. É casado, pai de três filhos, formado em Administração de Empresas pela Yale University. Cristão, pertence à Igreja Batista da Granja Viana.
Publica uma coluna, desde 1979, no Jornal d´Aqui (Granja Viana, Cotia, São Paulo), na qual escreve sobre isto e aquilo, embora às vezes tente voar mais alto. Em 2003, publicou seu primeiro e único livro, “Vou te Contar”, livro de memórias que pode ser encontrado na Submarino.

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Nó Górdio

Conta a História que havia, na Frígia (parte da Ásia Menor) um enorme nó, deixado por um rei da região. Quem, se dizia, conseguisse desatar o nó seria o rei da região. Muitos, é claro, tentaram se tornar reis desatando o tal nó, mas ficaram frustrados, tamanha sua complexidade e volume. Até que Alexandre, rei da Grécia e da Macedônia, chegou lá e fez o serviço – e, de fato, tornou-se rei daquela parte do mundo.

Nossa Constituição de 1988 é um nó górdio na nossa história mais recente. Elaborada por políticos não eleitos para serem constituintes, criaram uma ordem política que interpõe entre o cidadão e seu representante a figura toda-poderosa do Partido Político. Não atinaram para o fato de que a lei que rege partidos deve ser aquela conhecida de todos: Quem tem competência, que se estabeleça. O resultado é que, sem muita demora, percebeu-se que partido político é um grande e excelente negócio, a ponto de existirem hoje “experts” em criar partidos.

Isto, no entanto, não era o suficiente para os pais da pátria. Criaram o suplente de senador, a coligação partidária, o peso relativo do voto com base na região do eleitor, a troca de partidos indolor e o quociente eleitoral (pelo qual você vota num cara popular e elege um bando de outros totalmente desconhecidos). O voto perdeu quase todo seu significado como expressão da vontade do eleitor, passando a ser mera moeda necessária para fazer a engrenagem partidária funcionar.

O resultado, de todo previsível, é que as casas legislativas – Assembleias, Câmara e Senado – distanciaram-se completamente do cidadão. Representam a ninguém a não ser a si próprios e sua perpetuação no poder. São balcões de negócios, codependentes com os Poder Executivo, a quem nunca fiscalizam ou constrangem. Não enxergam mais seus eleitores, tamanho seu enfoque no poder e na reeleição.

Nisto não há nada de novo. Este filme roda, ininterruptamente, desde que o Brasil existe, quer como monarquia, quer como república. No entanto, com o advento da economia moderna, que compreende a industrialização e a urbanização do Brasil, chegamos agora a mais um impasse, facilmente previsível e totalmente inevitável. O Executivo não tem base política, e o Legislativo não tem maioria sólida. Ninguém é capaz de tomar uma decisão, de liderar, de dar um recado para o povo. Se e quando tenta fazê-lo, falha estrondosamente e é recebido com total desprezo pela população.

Há uma necessidade urgente de se convocar uma Assembleia Constituinte, apenas para a finalidade de alterar o capítulo do exercício político. Posso até ter razão ao fazer esta afirmativa, mas não vejo como isto possa ser realizado. Não existe a figura do poder capaz de convoca-la, pois deveria partir do Presidente, e esta não tem a mínima condição de fazê-lo. Neste interim, assistimos a uma ópera bufa no palco de Brasília. O problema é que os cantores são tão ruins que a plateia de 200 milhões de brasileiros sofre.

Nosso Vice-Presidente procura, como Diógenes e sua lâmpada, pelo Alexandre capaz de desatar o nó. Com todo respeito, lembro que Alexandre não desatou o nó. Cortou-o com sua espada, filme que já vimos em 1964.

 

 

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